26 de abril de 2017

Reforma Íntima



Paira entre todas as mídias um assunto recorrente, embora incômodo: a DEPRESSÃO. 


Em entrevista a um programa de grande repercussão, o Padre Marcelo Rossi fez um importante relato sobre sua própria experiência. 

Quem assistiu à reportagem e estava atento às mensagens subliminares, evidenciadas o tempo todo, pôde analisar a questão com mais precisão e menos ilusão. 

Primeiro, ficou claro que a religião não impede que a sensação de tristeza paralisante se instaure. 

Evidentemente, quem é assíduo num ritual religioso tem mais condições de adiar a pane geral porque, em tese, entrega a um ser soberano a resolução daquela situação incomodativa. 

Salvo raras exceções, há a transferência da responsabilidade. 

Por outro lado, quem percebe que há de se ter além da fé uma autocrítica e uma ação seguida da lágrima e da oração, parece estar mais coadunado com a maturidade que essa situação requer para que se saia dela. 

Na realidade, o indivíduo deprimido é evitado. 

Assim como o indivíduo que não se rende a alguma religião, que lhe é oferecida como solução dos seus problemas, é esquecido. 

Tenho comigo que quem se apega de forma demasiada à religião foge de si mesmo. 

É a religião que concede limite para seus instintos pouco admiráveis na sociedade ou grupo do qual faz parte. 

E, talvez, por medo de ser quem é, põe a religião à frente de tudo. 

Em geral, são bons amigos até que alguma opinião os firam ou contrariem. 

E para feri-los, dependendo da crença, basta ser de uma religião diferente. 

O que o padre comprovou é que há muitas questões fortes que residem no além-religião. 

Nessa mistura entre depressão, religião e amizade, por mais duro que seja, é a situação adequada para se averiguar quem é quem. 

Inclusive quem é aquele que se posta de amigo, até enquanto acha que pode demover o Outro de ser quem é.

| Cláudia Dornelles |

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