3 de agosto de 2016

Não gosto


Suponho saber do que não gosto.

Talvez esse seja um grande problema.

Não gosto de palavra dita pela metade, de verdade lançada com grosseria, de gente que não tem cheiro de frescor, de café requentado, de quadro desalinhado, de casa bagunçada, de flor artificial.

Não gosto de quem se diz amigo de todos.

Temo quem não se expõe.

Temo a diplomacia como forma de fugir de opinar.

Não gosto de gente que sorri só com a boca.

Não gosto de quem já acorda escondendo as olheiras.

A imperfeição faz parte justamente daquilo de que gosto.

Cláudia Dornelles

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